Mostrando postagens com marcador poema. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poema. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 23 de abril de 2013

Confissão


Quis achar a minha paz na inquietação da sua alma
fui buscar felicidade em sua feição amargurada
 Procurei minha euforia em teus surtos de silêncio
E até hoje não entendo
como é que há tanto tempo
eu me encontro em você.

setembro/2010


sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Papel almaço


Há quem tente, sem sucesso, nos marcar com canetas sem tinta.
Há quem nos contorne com giz, quem nos esfume com cera,
quem nos corta, quem nos carimba.

Há quem nos rabisque, quem nos dobre, quem nos rasgue.
Há quem nos manche, nos desmanche, nos estrague.

Mas ele me pegou pelos cantos
me trouxe de volta ao branco
e preencheu com lápis de cor
os espaços entre minhas margens.

Depois, fez poesia sobre minha superfície.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Peter Pan


prefiro a mentira bonita
à verdade que, dita,
me fere e corrói

me afaste a palavra maldita
me esconda nas sombras
dos contos de herói

devolva a poesia da qual não me lembro
deixa eu ver os dias como eu bem entendo
pois, o que é a vida, senão
a impressão de estar vivendo?

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

pena

o maior erro de Teresa
foi roubar-se de si mesma
e entregar-se a alguém

logo as coisas mudariam
quem podia imaginar
que suas paixões tirariam
seus pedaços do lugar?

oh, teresa
como é que pode?
um amor passa, te consome
leva tua alma
deixa o molde
sem previsão pra voltar?

hoje a brilhante teresa
sangra opaca em carmesim
e murmura ainda presa
- ah, que saudade de mim!

sábado, 27 de outubro de 2012

Terrorismo


abri a porta do meu coração
ele entrou

trouxe a mãe 
trouxe a tia 
trouxe o pai
o irmão
a filha 
trouxe a ex (que covardia!)
e uns colegas da Bahia

e então, quem é que entende? 
ele trouxe um passado 
sem nunca ter se importado 
em não me dar um presente

fevereiro de 2010

domingo, 20 de maio de 2012

No portão


Daqui a pouco 
é muito pouco
 pro muito que eu espero.

Quem sabe um dia 
é muito noite 
pro dia que eu quero.

E não há nada 
que pese em mim 
o tempo que me pesa
Fico sentada 
jogando fora
 a hora que me resta. 

Pois já não vale caminhar a esmo... 
Volta agora! 
Volta agora mesmo!

domingo, 15 de abril de 2012

ponteiros

teu mistério
sopra a vela
que me acende
as verdades

eu me apago
vejo trevas
caio eu
caem as tardes

tempo louco
noite escura
e você sem dizer nada
vai-se embora
minha cura
em tua omissão sangrada

me pergunto
te indago
puxo o banco
puxo o lenço
me ensurdeço
caio aos prantos
de horror ao teu silêncio


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

coma bélico


não sei levar o amor de qualquer jeito
nem acolher a dor que me angustia
me tire dessa guerra arruaceira
me leva embora agora e me alivia
estou caída em meio a uma trincheira
me arraste pro meio da enfermaria

e anestesia
e anestesia

domingo, 15 de janeiro de 2012

Cicatriz

Uma hora a gente sempre bate a testa
Se não quebra a cara na parede
Quebra a parede com a cara

O mais bonito nisso tudo
é a cicatriz que fica
Pra lembrar que a parede é de vidro
Pra lembrar que ninguém é de aço
Pra lembrar que querer ser perfeito
é deixar que o perfeito lhe escape dos braços

sábado, 7 de janeiro de 2012

Sem alça


E a bolsa guardada
guardava tanta coisa
A carteira nova
da mãe daquela moça
que ainda guardava
dobrava a velha carta
que havia ganhado
do seu ex-namorado
que ainda sofria
com o fim do noivado
com a moça da bolsa
que o havia deixado

E a bolsa guardada
guardava tanta coisa
a nota da moça
que havia viajado
sozinha e perdida
com um pé calejado
de tanto fugir
de um homem transtornado

E a bolsa guardada
guardava tanta coisa
o creme vencido
e o enfeite que o amigo
havia doado
àquela bela moça
que por um impulso
perdeu todo o juízo
ao ver que o mundo
não era um paraíso

E a bolsa guardada
guardava tanta coisa
o auto-epitáfio
da moça amedrontada
que ainda escondia
a marca da pedrada
sob seus cabelos
com uma fita listrada

E a moça guardada
guardara tanta bolsa
A bolsa azul
que vivia fechada
A bolsa amarela
por dentro decorada
em tons tão escuros
com cor preta espalhada
A bolsa vermelha
deixada ali de lado
Sua bolsa branca
de tecido rasgado
até camuflado
junto a um pano desbotado

Tanta coisa numa bolsa
Tanta bolsa pra uma moça
Tanta moça numa bolsa
Uma moça,
Uma bolsa.

domingo, 30 de outubro de 2011

O filósofo


Sua maior loucura
foi encarar a aventura
de fugir sem olhar pra trás.

Quem passa pela multidão
vê que ao andar na contra mão
ele encontrou a própria paz.

domingo, 2 de outubro de 2011

Mágica


Parecia entender
o que o meu olhar dizia
sem nunca querer dizer

E quando eu me escondia
sempre me aparecia
e conseguia me ler

Mas você me era tanto
que perdida em seu encanto
tive medo de ser

dezembro de 2009

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Recomeço


Ao olhar pra tudo aquilo
que há tempos havia sofrido
preferiu não perder tempo
com tanto tempo perdido

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Circo


O fogo queimou a lona. O palhaço então chorou.
Com a peruca derretida
Ele até daria a vida
Pra poder mostrar a Anita
O quanto ele ensaiou

“Ela não olhou
Ela nem notou
Será que ela volta
no próximo show?”

sábado, 23 de julho de 2011

Inspiração

As palavras do poeta
esperneiam na barriga
É aquele empurra-empurra
Quem vê pensa até que é briga

Mas é que ninguém entende
Ai ai ai,meu Deus do céu!
As ideias pulam quente
pra alcançarem o papel

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O padeiro


Sem minha autorização
ele veio com o fermento
fez crescer meu coração
pra poder caber lá dentro

Agosto - 2010