Quis achar a minha paz na inquietação da sua alma
fui buscar felicidade em sua feição amargurada
Procurei minha euforia em teus surtos de silêncio
E até hoje não entendo
como é que há tanto tempo
eu me encontro em você.
Há quem tente, sem sucesso, nos marcar com canetas sem tinta.
Há quem nos contorne com giz, quem nos esfume com cera,
quem nos corta, quem nos carimba.
Há quem nos rabisque, quem nos dobre, quem nos rasgue.
Há quem nos manche, nos desmanche, nos estrague.
Mas ele me pegou pelos cantos
me trouxe de volta ao branco
e preencheu com lápis de cor
os espaços entre minhas margens.