- Tia, eu quero pão de queijo.
- Lá em casa tem bolacha.
- Mas eu não quero bolacha, eu quero pão de queijo.
- Deixe de ser ingrato! Há crianças como você que gostariam de ter uma bolacha em casa e não têm!
- E há crianças, como eu, que gostariam de ter um pão de queijo em casa e não têm!
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quinta-feira, 18 de agosto de 2011
domingo, 10 de julho de 2011
Ana
Ela estava certa de que o veria novamente, embora não soubesse quando.
Durante um bom tempo, guardou palavras bonitas na garganta e, vez ou outra, proferia frases prontas diante de seu papagaio a fim de simular como seria o tão esperado encontro.
Certo dia, ao caminhar pela avenida, notou que Pedro a reconhecera de longe e gritara seu nome. Ela correu para perto dele, disse um "olá" e segurou bem a garganta para que as palavras não fugissem. Em vão. Seu coração saltou pela boca e atropelou cada letrinha guardada ali.
A moça não disse nada. Não havia o que dizer. Pedro riu. Ana saiu envergonhada e com ódio de si mesma. Respirou fundo e foi andando pela calçada, com cara de boba.
Ainda que nervoso, seu coração voltou para o peito (de onde não deveria ter saído) e as palavras não ditas, após escorregarem pela garganta de Ana, foram, uma a uma, caindo em sua alma para umedecer a esperança de um dia encontrar Pedro outra vez.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
O imortal
Ele leu o epitáfio.Releu. Sorriu. Chorou.
Antes tivesse caido em sono eterno como ela!
Ao sentir o vazio do mundo e escutar o som das coisas finitas, gravou em si o conceito de que a vida só valeria a pena tendo a morte como descanso.
Ele esperava que algo um dia lhe provasse o contrário.
Antes tivesse caido em sono eterno como ela!
Ao sentir o vazio do mundo e escutar o som das coisas finitas, gravou em si o conceito de que a vida só valeria a pena tendo a morte como descanso.
Ele esperava que algo um dia lhe provasse o contrário.
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