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domingo, 24 de fevereiro de 2013



"amar não significa ter que sacrificar partes de si mesmo.
amar é maior do que a soma das partes."
(a matemática do amor)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A fórmula


Eu devia ter doze anos quando visitei a fábrica de Coca Cola com a turma da sexta- série. Na primeira sala de palestras, a monitora falou do 7x, a fórmula secreta do refrigerante, na época, revelada a apenas quatro pessoas no planeta. A Coca Cola foi criada como um xarope comum e bastaram algumas décadas para a solução ganhar o mundo. De lá pra cá, empresas tentaram copiar a bebida de várias maneiras, em vão. Até hoje, ninguém conseguiu atingir o ápice do sabor proporcionado pela tal fórmula misteriosa.

Quando assisti  Brilho eterno de uma mente sem lembranças (2004) isso me veio à cabeça. No filme, Jim Carrey e Kate Winslet são Joel e Clementine, um casal que resolve apagar da memória tudo o que viveu junto. De maneira incrível, a trama quebra com a linearidade comum aos romances convencionais e contrapõe o silêncio e as sombras à destruição gradativa de um passado que parece não querer ser apagado. A produção do francês Michel Gondry, com roteiro do novaiorquino Charlie Kaufman recebeu vários prêmios e indicações. Sua abordagem inusitada da memória surpreendeu os críticos.

O que impressiona é ver que mesmo com o fim das lembranças, o sentimento que unia o casal não morria. Parecia existir uma poção oculta ao fundo de cada lembrança apaixonada dos dois. Como se houvesse um 7X naquele sentimento que o fazia especial, viciante, secreto e, por isso, talvez, indestrutível. Alguns costumam aludir o amor às circunstâncias que o alimentaram. Assim, apagar memórias da pessoa amada parece uma opção coerente para quem quer deixar de sofrer por uma paixão, mas há algo que fica. Porque nem só de lembranças é feita uma história de amor. Existe algo mais forte que ninguém sabe o que é. Uma fórmula secreta por trás de cada impulso apaixonado, um 7x da empatia amorosa. Ele pode ou não aparecer com o passar dos dias, mas se não aparece, o amor será fajuto e estranho. No máximo, uma Pepsi.

Clementine e Joel não contavam com isso e as lacunas na memória não foram suficientes para minimizar a lacuna deixada por um amor arrancado à força de seus corações. Extraíram o xarope base, mas se esqueceram de tirar do peito, os ingredientes secretos.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O jardim secreto e o despertar da primavera



Das lembranças que tenho da infância, a do jardim secreto de Mary Lennox foi uma das mais marcantes. A história de um universo escuro que se abria frente ao sol me acendia para o mundo e me fazia florescer, ainda que eu não entendesse bem o efeito daquilo . Tanto o desenho (1994) quanto o filme de Holland (1993) foram, por anos, meus preferidos na locadora. Cheguei a perder as contas do quanto aluguei aquelas fitas.

Em uma das cenas mais bonitas da versão animada , as crianças olharam para o jardim morto e cinzento e quase desistiram de restaurá-lo. Foi então que o pequeno Dickon cortou o tronco de uma das árvores e percebeu que, por dentro, ele estava verde. E tudo passou a valer a pena, quando algo respirava ali. Trabalhar por um lugar mais bonito era compreender que enquanto houvesse vida no tronco, haveria promessa de flores para a próxima estação.

Às vezes nos sentimos mortos. Por dentro e por fora. Por um instante, nada mais dói, nada mais vale e só o silêncio combina com o que temos a oferecer ao mundo: o vazio. Mas algo fere nossa superfície de repente e o sangue que nos escorre acorda aquilo que parecia já ter morrido. Bons ventos inesperados sopram súplicas em nossos pulmões e pedem a vida de volta até agarrarmos o compromisso de escrever nossa própria história.

Assim, jardins se erguem todos os dias na Terra. Vidas começam de novo e flores enfeitam asfaltos, onde também crescem árvores com o xilema e o floema a todo vapor. Ali, apesar das rachaduras no terreno, só há espaço para contemplar o que é bom. Quem olha bem próximo ao chão, percebe o esforço das raízes que empurram a seiva bruta para as folhas como uma engrenagem que não se cansa. E quando o verde renova as ruas, é só a vida avisando que é hora de ser feliz.