domingo, 31 de julho de 2011

sábado, 23 de julho de 2011

Inspiração

As palavras do poeta
esperneiam na barriga
É aquele empurra-empurra
Quem vê pensa até que é briga

Mas é que ninguém entende
Ai ai ai,meu Deus do céu!
As ideias pulam quente
pra alcançarem o papel

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Em off

- Vejam só a solteirona-mor! Sessenta e quatro anos e nunca se casou! Acho que o cupido não está mesmo a seu favor!

- Na verdade, ele me ama, por isso não me quer com mais ninguém!

Dora deu as costas para se encontrar com o senhor Cupido na Ponte das Flores. Há dois anos eles mantinham um namoro discreto, verdadeiro e bem longe das más línguas.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O padeiro


Sem minha autorização
ele veio com o fermento
fez crescer meu coração
pra poder caber lá dentro

Agosto - 2010

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Mágoa

Botou pra dentro tudo o que queria dizer. Depois foi culpar a gastrite pelo mal estar. Quem mandou engolir tanta porcaria?

Ruídos

- Se você parar pra ouvir o silêncio, vai escutar a orquestra do mundo… O passarinho cantando, o cachorrinho latindo, a panela de pressão, omenino brincando, o vento… Ah, o vento!

- A polícia chegando,a cirene da ambulância,os carros buzinando,a mulher pedindo socorro,o pai na fila do hospital,a propaganda política, o baile funk, os músicos eruditos que se acham superiores aos que correm atrás do trio elétrico…O ronco da barriga do faminto. A chuva…O cachorro que chora na chuva…O mendigo que fala sozinho na sarjeta e…

- Chega,Pitágoras! Seu pacote estourado de pessimismo! A música da vida tende a ser mais suave quando a escutamos com alegria,sabia?

- É que às vezes dá vontade de abaixar o volume.

domingo, 10 de julho de 2011

Ana

Ela estava certa de que o veria novamente, embora não soubesse quando.

Durante um bom tempo, guardou palavras bonitas na garganta e, vez ou outra, proferia frases prontas diante de seu papagaio a fim de simular como seria o tão esperado encontro.

Certo dia, ao caminhar pela avenida, notou que Pedro a reconhecera de longe e gritara seu nome. Ela correu para perto dele, disse um "olá" e segurou bem a garganta para que as palavras não fugissem. Em vão. Seu coração saltou pela boca e atropelou cada letrinha guardada ali.

A moça não disse nada. Não havia o que dizer. Pedro riu. Ana saiu envergonhada e com ódio de si mesma. Respirou fundo e foi andando pela calçada, com cara de boba.

Ainda que nervoso, seu coração voltou para o peito (de onde não deveria ter saído) e as palavras não ditas, após escorregarem pela garganta de Ana, foram, uma a uma, caindo em sua alma para umedecer a esperança de um dia encontrar Pedro outra vez.