sábado, 7 de janeiro de 2012

Sem alça


E a bolsa guardada
guardava tanta coisa
A carteira nova
da mãe daquela moça
que ainda guardava
dobrava a velha carta
que havia ganhado
do seu ex-namorado
que ainda sofria
com o fim do noivado
com a moça da bolsa
que o havia deixado

E a bolsa guardada
guardava tanta coisa
a nota da moça
que havia viajado
sozinha e perdida
com um pé calejado
de tanto fugir
de um homem transtornado

E a bolsa guardada
guardava tanta coisa
o creme vencido
e o enfeite que o amigo
havia doado
àquela bela moça
que por um impulso
perdeu todo o juízo
ao ver que o mundo
não era um paraíso

E a bolsa guardada
guardava tanta coisa
o auto-epitáfio
da moça amedrontada
que ainda escondia
a marca da pedrada
sob seus cabelos
com uma fita listrada

E a moça guardada
guardara tanta bolsa
A bolsa azul
que vivia fechada
A bolsa amarela
por dentro decorada
em tons tão escuros
com cor preta espalhada
A bolsa vermelha
deixada ali de lado
Sua bolsa branca
de tecido rasgado
até camuflado
junto a um pano desbotado

Tanta coisa numa bolsa
Tanta bolsa pra uma moça
Tanta moça numa bolsa
Uma moça,
Uma bolsa.

4 comentários:

mfc disse...

Sempre me espantei pelas inúmeras coisas que uma bolsa de mulher guarda!!
É que são mesmo imensas coisas!

Shirley disse...

Livia muito obrigada por sua visita em meu blog, também adorei o seu e esse texto da bolsa de uma moça é a mais pura realidade, bjocas...

Fernanda Marchioretto disse...

Acho que a bolsa é uma extensão nossa mesmo, complexa, cheia de coisas (in)úteis e (in)dispensáveis.
Que coisa mais linda seu blog!
Bjoka!

Alexandre Pitta Guedes disse...

Adorei! Muito bom :)