domingo, 30 de outubro de 2011

O filósofo


Sua maior loucura
foi encarar a aventura
de fugir sem olhar pra trás.

Quem passa pela multidão
vê que ao andar na contra mão
ele encontrou a própria paz.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A cigarra e a formiga

Era domingo. A Dona formiga ligou a TV. No canal Verdes Folhas passava Tarde dos insetos,com Gugu Carrapato. Em meio a uma plateia animada,o apresentador anunciou eufórico:

“Hoje,teremos a presença de Cicigarrete! Ela que já vendeu mais de 10 milhões de cópias e tem feito o país inteiro dançar ao som do ‘Funk da Cici’ virá ao nosso programa para cantar um pouquinho pra gente! Logo depois dos nossos comerciais.Não perca!”

Dona Formiga foi fazer um chá e voltou para a sala com a Vovó Formiga. E o programa começou. O apresentador logo no início do bloco deu o maior berro:

“E com vocês: Cicigarrete!!!”
A estrela da música entrou no palco e fez todo mundo cantar com ela. Na platéia do programa, se viam cartazes em homenagem à musa, camisetas com sua foto, pôsteres de vários tamanhos e representantes dos mais diversos fã-clubes de Cicigarrete. E galera pulava:

É o funk da Cicigarrete
É o funk da Cicigarrete
E quem quer entrar na dança
tem que comer muito omelete

Na sala da casa da Dona Formiga, a vovó resmungava:

- Nossa! Essas músicas de hoje em dia não tem conteúdo mesmo!

E Dona Formiga retrucava:

- Deixe de ser ranzinza,mamãe! Eu gostei!

Ao terminar de cantar, Cicigarrete tirou os óculos escuros para dar uma entrevista para Gugu Carrapato. Seus olhos estavam cheios de lágrimas. A estrela estava emocionada. “Nunca imaginei que um dia estaria aqui diante dessa plateia tão maravilhosa!”, repetia.

E a plateia gritava “Ela merece! Ela merece!”

Na sala da casa da dona Formiga, dona Formiga olhou para Cicigarrete espantada:

- Mas,essa não é aquela cigarra para quem não quisemos dar comida,no último inverno?

Vovó Formiga ajeitou os óculos e olhou melhor para a televisão.

- É ela mesma! Aquela que deixamos passar frio lá fora por ficar cantarolando durante o verão em que trabalhávamos.

Dona Formiga desligou a TV, revoltada.

- Não é possível! Nós é que trabalhamos e ela é quem faz sucesso?

- O ofício dela era de cantora, oras! Nós é que não sabíamos disso. – Concluiu Vovó Formiga.
E dona Formiga,com uma pontinha de inveja:

- Pelo menos com ela estando longe,não precisaremos suportar a cantoria impertinente daquela cigarra.

Foi então que a Formiguinha Baby entrou na sala com um pacote na mão:

- Mamãe! Mamãe! Olha só o que eu compreiii! O CD e o DVD da Cicicarrete!

Dona Formiga olhou indignada:

- Era pra isso que você quis quebrar o seu cofrinho?

- Era mamãe! Era pra isso!

Depois,a Formiguinha Baby saiu cantarolando pelo formigueiro:

“…De quem você é Tiete?
Eu sou tiete da Cicigarrete!
Você é Tiete do Chiclete
e eu sou Tiete da Cicigarrete
Você é Tiete da Ivete
e eu sou Tiete da Cicigarrete!…”

domingo, 2 de outubro de 2011

Mágica


Parecia entender
o que o meu olhar dizia
sem nunca querer dizer

E quando eu me escondia
sempre me aparecia
e conseguia me ler

Mas você me era tanto
que perdida em seu encanto
tive medo de ser

dezembro de 2009

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Recomeço


Ao olhar pra tudo aquilo
que há tempos havia sofrido
preferiu não perder tempo
com tanto tempo perdido

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Circo


O fogo queimou a lona. O palhaço então chorou.
Com a peruca derretida
Ele até daria a vida
Pra poder mostrar a Anita
O quanto ele ensaiou

“Ela não olhou
Ela nem notou
Será que ela volta
no próximo show?”

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Teclado

Às vezes queria poder dar Ctrl + F dentro de mim para encontrar a razão camuflada entre as minhas perguntas sem resposta.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Com uma peça a menos

Cabecinha de Vento era um bonequinho de Lego muito “avoado”. Esquecia-se de tudo e sempre passava por poucas e boas por conta disso. Um dia , foi comprar mistura para a mãe e esqueceu as moedas em cima da mesa. Teve de voltar correndo antes de o mercadinho fechar, pra buscar o dinheiro. Ao voltar, comprou tudo o que dona Lego pedira, mas ficou tão atento ao troco,que esqueceu as compras no balcão. Quando retornou, o Boneco-Verdureiro já havia fechado o mercado. Se não fosse o seu pai, que, dias antes, havia guardado “miojo” no armário,a família inteira ficaria sem janta.

O bonequinho também era dono de ir à escola e esquecer o lápis e o caderno em cima da cama. Pobrezinho! Sempre levava bronca da professora:

- Esqueceu o caderno outra vez, Cabecinha de Vento?
- Sim, professora…
- E agora, onde vai copiar a tarefa?
- Não sei…
- Leve o caderno da Barbie para copiar a lição de hoje e trate de colocar suas atividades em dia! Eu quero tudo pronto até amanhã!
- Sim, sim, professora!

À tarde, enquanto todas as crianças se divertiam no campinho de futebol, Cabecinha de Vento copiava a matéria atrasada pelo seu esquecimento. E no dia seguinte, tornava a esquecer o material escolar.

Seu pai, o senhor Lego, sempre ficava muito bravo com essa situação:

- Ô Cabecinha de Vento! Esse seu esquecimento é absurdo! Você só não esquece a cabeça porque está colada no pescoço!

E não é que um dia, ele esqueceu mesmo a cabeça em casa! Certa vez, desmontou a cabeça para tomar banho, como de costume, mas deixou-a no banheiro e foi à escola, logo cedo. Ao perceber o desleixo do irmão, Cabecinha de Açúcar foi correndo atrás da mãe:

- Manhêê! O Cabecinha de Vento esqueceu a cabeça!
- Mas não é possível, filha! – Exclamou a mãe, intrigada.
As duas saíram de casa e, de longe, avistaram Cabecinha de Vento, sem cabeça, passando sobre o trilho do trenzinho.
- Mamãe! – Gritou Cabecinha de Açúcar – Ele será atropelado!
- Vamos correr, filha!

Desesperadas, as duas gritavam o boneco. Em vão! Ele não escutava, não enxergava e não falava, afinal de contas, estava sem cabeça.

Após atravessar a linha, foi caminhando ao meio da rua e acabou sendo atropelado pelo Carrinho de Madeira, que não teve culpa do acidente.

Cabecinha de Vento foi parar no hospital. Sua perna esquerda foi toda desmontada. Uma peça azul ficou perdida embaixo da ambulância e o Doutor teve que substituí-la por uma amarela. Ficou estranho, mas não tinha outro jeito. Apelar para um implante de peças artificiais, àquela altura do campeonato, era arriscado demais.

Hoje, todas as vezes que Cabecinha de Vento olha para aquela peça diferente em seu corpinho, se lembra de confirmar se não esqueceu nada em casa e confere se a sua cabeça está sobre seu pescoço.

Ultimamente não tem se esquecido de muita coisa. Tomara que continue assim,não é mesmo?

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Razões

- Tia, eu quero pão de queijo.
- Lá em casa tem bolacha.
- Mas eu não quero bolacha, eu quero pão de queijo.
- Deixe de ser ingrato! Há crianças como você que gostariam de ter uma bolacha em casa e não têm!
- E há crianças, como eu, que gostariam de ter um pão de queijo em casa e não têm!